sábado, 24 de maio de 2008

Adeus, Narciso.

Sem sonhos extravagantes – dizia a si mesmo. Sabia que começara a enxergar e que não havia mais volta. Sem dúvida, a única maneira de retornar seria por um artifício de memória, sim, sabia agora que esta não passava de artifício e saberia utilizar-se dela quando quisesse, ou quando necessário (ou não saberia, também aprendera a ter certeza da dúvida e isso lhe seria bastante útil, imaginava...).
Surgira na frente daquela imagem outra pessoa, não mais aquele tolo que vivia fantasias e auteregos para acalentar o pesadelo real da sua covardia. Sua fraqueza era não saber ser fraco, e para viver é preciso sê-lo também, eis a fortaleza! Aprendera... Ouvia agora o disco do Led Zeppelin, não se sentia mais sobre o palco, contudo podia sentir agora o palco em que sua vida era uma cena real, talvez mais uma tolice sua, mas tinha agora um TALVEZ e não era mais o autor de ALL MY LOVE e outras canções.
Descobrira, por fim descobrira... Não tinha mais certeza de que aquela imagem o amava, mas era belo, realmente um homem muito, como diria muito bem dotado, tórax, abdômen, pênis enorme e rijo. Olhando-o tentou masturbar-se, não conseguiu, descobrira sua própria farsa, mas gostara, incrivelmente gostara. Caíra na real como dizia seus antigos ídolos de ontem. Lembrava-se novamente “sem sonhos extravagantes, lets go babe, no extravagance!”.
Vestiu-se e se sentindo melhor olhou a rua, viu o bar do outro lado cheio, lembrou-se de uma excursão, de um bar em Boa Viagem, de um homem muito inteligente e belo que há muito conhecia, olhou o telefone sobre o criado-mudo, sorriu e resolveu dormir. Por fim o fez. Quem sabe seria mais corajoso amanhã... não sabia que já o era por permitir-se esse “quem sabe”, o descobrirá por sua vez, espera-se!

(Leandro Moreira, Maio/2005)

6 comentários:

Anônimo disse...

Leandro, seus textos são incríveis e de uma profundidade. Você com certeza é um ótimo escritor. Não desista de suas palavras e de seus textos, pois são de um sensibilidade incrível. Sempre que eu puder visitarei esse teu espaço aqui, para te visitar e ler um pouquinho de suas obras.
bjus lindo e inpirações mil.

Anônimo disse...

i aos favoritos e assim que descobrir como pôr no blog, links favorito, eu ponho no meu blog tb, bjus lindo.

Anônimo disse...

Leandro, cada vez adimiro mais o seu trabalho. Texto lindo!

beijos

p.s.: meu blog mudou de endereço... agora é... www.lavanderiaa.blogspot.com

Anônimo disse...

Uai... pq não tá postando mais... faz isso com a gente não...

beijos

Paulinha Liz

Ideologia Poética disse...

Leandro, há algum tempo o recebi em meu blog, você falou sobre quando trocamos algumas idéias, mas não lembrei, como ainda não lembro...

Meu blog é paradão do tipo que raramente recebe comentários pertinentes como foi o seu... Desculpe, não pude responder antes, não por falta de tempo, mas por falta de propósito como poeta, auto-estima baixa, na verdade... hoje sou invadido por uma curiosidade tremenda, aqui estou, e contente demais pelo que li, pelos textos futuros que verei neste blog... Seus “contos”, se assim posso chamá-los (puramente uma questão de gênero), revelam uma sensibilidade lírica incrível, mesmo sem ser verso (novamente a mesma questão) e uma quantidade de leituras admiráveis, além de consciência estética, tanto sintática, quanto semântica e ideológica...

Você acaba de ganhar um leitor...

Parabéns, abraços mil...

Unknown disse...

Nossa que profundo, achei muito bom. Tem um sentimento escondido que as vezes nos perdemos com as palavras que parece nos envolver.
parabéns Leandro...