Há dias que tento contar uma história qualquer, mas fui covarde. Sou. Estou sendo. Tenho medo de enxergar o que me parece invisível. Mas agora acho que enxergar me é imprescindível. Se eu não o fizer posso enlouquecer. Estou a ponto de consumar o fato, acho que agora finalmente poderei fazê-lo, a coragem será não contar esse drama tão cômico. Sou covarde. Contarei, portanto. Só me desculpe a falta de prática. Sou iniciante, cáustico, a lógica me parece ilógica. Irracional às vezes. Ajo instintivamente e de modo egoísta. Apenas com a minha razão. Gosto de estar só. Vejo o mundo pelos meus olhos apenas- pela razão da solidão. Eles são também normais, são felizes, saudáveis. Riem. Choram também. Desculpem-me. Realmente, mil desculpas. Falo dos meus pais. Sim, sim, os tenho obviamente. Estão assistindo agora ao noticiário ou a uma telenovela qualquer. Assistem TV. Eu não os vejo há horas... Sou normal caro amigo, ou melhor, caro sei lá o quê, que lê essa busca intinerante por umas verdades quaisquer. Não sou o contrário deles. Não. Definitivamente não sou. Apenas não me deixo em paz nunca. Sou como um narcótico que se embriaga ao buscar verdades. Verdades imanentes. Verdades da vida. Mas não quero contar a minha história. Não, ela não te cabe. Ela não caberia em nós. Quero contar-te apenas o que verei. Mas estou com medo. Muito medo. Eu tremo. Escrevo ISTO com muita, com muita violência. Me desespero até. Tudo paralisa ao redor. A mente não. É uma pintura que se move... Ela quer ver. Durante esse tempo estático - pois é estático para qualquer solitário que se encoraja a ver - do meu desespero inerte de contar uma visão de pensamento, que me veio a imagem daquela mulher, linda, linda feito uma atriz etérea dos anos 30. A mulher sai de um carro antigo. Muito bonito. Muito bonita. Não consigo ver mais que isso. Eu temo, na verdade. Eu tremo. Devo chorar agora. Eu sei. Eu devo. Choro então... Parece sentir dor a pobre mulher. Se chama Ana. Ah sim, se chama Ana, pude compreender agora. Está acompanhada de um senhor distinto. Estão com pressa. Tanta pressa. Mas, mas ele não me importa, não me interessa este homem agora. Ela... Ela... Não posso ver o que ela sente. Eu temo ver o que ela sente. Sua consciência vem à minha. Um batida fortíssima! Eu não queria, mas eu sinto agora. Eu sinto agora, eu sinto... Eu vejo também. Estamos dando a luz. Isso, dando a luz. Deve ser. É. Temos medo. Dói. Contrações horríveis. Tudo se apaga. Não sentimos nada. Não vemos nada. Paz. Há muita paz agora. Ora,estamos sem consciência! Sem onisciência. Mas... Ah, a calma era aparente, acabamos de acordar. O azul. Vejo o azul. Isso. Isso mesmo. Estamos na sala de parto. Trabalho de parto. Tenho medo de ver. Não. Não quero. Não quero ver. Coragem, não veja... - digo para mim. Não resisto. Quero me pôr à prova. Vejo que parto acabou. Felizes. Estamos felizes. Tudo se encaixou. O senso-comum enquadrou-nos. Lágrimas. Emoção. Qual ação? Que ação? Sim, claro!!! Logicamente protegeremos o bebê agora. Se eu vi a felicidade? Eu a vi, sim, a felicidade está aqui. Mas... Mas e se o bebê morrer? Enxergaremos o mundo de novo? Eu e ela enxergaremos o mundo de novo. Será uma sentença? Não. Não. Que sentença o que! Não veremos de novo, não! Não quero! Não posso! O bebê chorou, vai viver. A vida viverá. Agora nós somos. Eu sou. Somos nós, com o mundo, um senso qualquer e comum.
(Leandro Moreira)

2 comentários:
Você sabe que sou seu fã. Não é a toa que estva até agora teclando com vc. É madrugada e me senti orgulhoso de ver seus textos e muito feliz de ser o primeiro a postar um elogio.
te amo de paixão, garoto.
Que bueno que te guste mi forma de escribir, en lo personal estaba dejando ese cuento para mi y no quería exponerlo, pero no aguanté y lo subí
Un verdadero agrado que mis creaciones sean leídas desde tan lejor, por lo mismo tuve el agrado de leer tu blog.
Le agradezco a chile, mi patria, tierra de poetas y escritores.
Bueno, seguiré visitando tu blog, yo todos los dias también escribo algo nuevo así que siempre encontrarás alguna novedad.
Desde aquí me despido,
saludos.
Adiós!
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